“Chamo-me Sónia. Sou uma miúda que já carrega uns valentes 26 anos às costas (quando lá chegarem vão ver como custa), tenho um filho de 3 anos e sou casada (bem casada por sinal). E sou mais uma das mil e uma pessoas que renasceu após conhecer a paleo. A sério, isto não é treta. Renasci mesmo. Desde adolescente que travo luta contra o excesso de peso. Peso que nessa fase nem era nada de exagerado. Mas se fizerem contas eu fui adolescente na era “morangos com açúcar” e o modelo de miúda gira socialmente aceite estava nitidamente inclinado para as magras, esguias e loiras. Três coisas que eu nunca fui. E foi mais ou menos por aqui que começou a minha inimizade com balanças. Sobe e desce. Deixa de comer, come este mundo e o outro. Deixa de comer outra vez e depois come Marte e Saturno. Típico portanto. Porém, foi na gravidez que a coisa começou a ficar muito negra. Não, não foi só o peso… foi tudo. Durante toda gravidez eu adoptei a máxima “grávida pode comer por dois”, mas comer por dois era pouco deslumbrante para mim então comia por 4 ou 5. E toda a gente achava super normal. E era, até as 30 semanas de gravidez. A partir daqui começaram as complicações. Aumento surreal de peso, de edemas, de tensões, pré-eclampsia, rins em sobrecarga e um deles a trabalhar em slowmotion. Eu não gosto de me culpabilizar, não é uma coisa com que lide muito bem. Mas acho que se eu tivesse tido algum cuidado a coisa talvez tivesse corrido melhor. Independentemente de todo o diagnóstico negro, cá estamos os dois para contar a história! Mas as marcas ficaram. Ficou a hipertensão que estava completamente descontrolada mesmo com medicação e a ela juntou-se um conjunto de factores que me levaram a uma depressão pós-parto. Que eu nunca admiti que tinha. E, como já vinha a ser hábito há largos anos, o meu aconchego era a comida. Comia porque sim, porque não. Porque chovia ou porque estava sol. Porque tinha sono ou porque não tinha. Porque estava a ser um dia bom e eu podia comer um miminho ou porque estava a ter um dia mau e precisava de aconchego. E comia sem me conseguir controlar. A isto chama-se compulsão alimentar. Também foi um bónus, comigo é tudo à grande! Tudo isto aliado à minha falta de cuidado com aquilo que comia levou-me a ter peso a mais. Não posso dizer qual foi o máximo que Pesei. Eu não sei. Sei que a minha última pesagem no boletim de grávida marca 98kg e que sensivelmente um ano após o nascimento do meu filho eu subi a uma balança e ela marcava 94kg. Mas ao certo eu não sei se este foi o meu máximo, eu não me pesava. Estava conformada com a minha situação de gorda e não me esforçava muito para sair dali. Mas saí. Eu não sei muito bem como nem de onde veio tudo isto, mas houve um dia em que eu decidi que a comida não ia mandar mais em mim e pus-me a caminho. Iniciei a dieta das gelatinas, vocês sabem, aquela que nos deixa comer gelatina sempre que nos apeteça. E eu não fazia outra vida. Afinal de contas aquilo até tem poucas calorias. Mas depois alguém me disse que paleo era o ideal para mim e adicionaram-me ao grupo. Paleo, ideal para mim? Pessoas que comem ovos todos os dias e ainda comem bacon ao pequeno almoço? Loucos. Pensei eu. Estes tipos são loucos. Andei aqui umas semanas a ler tudo, absorver toda a informação, a perceber o porquê de se comer ou não determinados alimentos. Até que percebi que paleo é bem mais que comer ovos ou bacon (até porque faço paleo há quase um ano e nunca comprei bacon). É apenas comer comida de verdade, comida que não foi feita num laboratório para agradar ao palato até do ser mais esquisito à face da terra. Paleo é comer saúde. É ter noção de que devemos tratar bem o nosso corpo porque é nele que vamos viver o resto da vida. Ser paleo é ver a comida como aliado e não como inimigo. É comer com prazer, com sabor. E eu tenho muito a agradecer à Paleo pela paz que me trouxe. Por finalmente conseguir ser eu a controlar a comida e não ela a mim. Por ter deixado numa outra vida o síndrome “tenho fome”. Por finalmente já não pertencer à lista de hipertensos. Por ter deixado de lado toda a minha antipatia com o meu peso. Mas essencialmente por me ter permitido renascer a tempo de ser o melhor exemplo para o meu filho. Ainda me conseguiu apanhar na fase em que ele é uma esponjinha e vai absorver o bom que eu lhe posso mostrar. E eu acho que esta, para além da saúde e da perda de peso, é a minha maior vitória. Ser aquilo que eu gostava que o meu filho fosse um dia: consciente de que somos aquilo que comemos. Passou quase um ano e sabem que mais? A paleo é mesmo o ideal para mim. E para todos vocês também.”

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