Conceito Paleo

“Paleolítico” refere-se ao período anterior à invenção da agricultura. O que propomos é uma aproximação ao regime alimentar ao qual nossa espécie está geneticamente adaptada. Da mesma forma que estamos geneticamente adaptados à gravidade da terra, à concentração de oxigénio da nossa atmosfera, à temperatura do nosso planeta, pois estas são as condições que conduziram à nossa evolução, a “dieta” com a qual evoluímos e que moldou os nossos genes.

Não existe um único tipo de alimentação paleo. Hominídeos nómadas vaguearam por África, e posteriormente por todos os continentes, comendo aquilo que estava disponível. No litoral, isso significava um predomínio de pesca. Nas savanas, um predomínio de caça. Na maioria dos lugares, era complementada com vegetais, frutas silvestres e raízes, além de insectos e larvas.

Em locais como o círculo polar ártico, praticamente não havia vegetais disponíveis por pelo menos 6 meses. Em ilhas do pacífico, o coco chegava a compor mais da metade do consumo calórico. Assim, não há uma alimentação paleolítica, mas várias. Mais importante do que as diferenças entre estas “dietas”, é o que todas têm em comum: a ausência de produtos refinados, alimentos processados e grãos.

É evidente que alimentos processados, açúcar, refrigerantes e batatas fritas não faziam parte da “dieta” ancestral. O que não é tão intuitivo assim é a ausência de grãos, pois sabemos que o trigo acompanha a civilização há muito.

Assim, com todas as variações geográficas e culturais, em traços muito gerais, para se seguir uma alimentação estilo paleo, devemos tentar:

  • Evitar o consumo de grãos
  • Eliminar o açúcar processado e diminuir os açúcares naturais
  • Evitar alimentos processados, especialmente os que contém maus ingredientes e aditivos

A alimentação paleolítica precisa ser adaptada aos tempos modernos. Afinal, é pouco provável que a maioria de nós pretenda consumir insetos e larvas ou caçar os animais selvagens com as próprias mãos.

A grande proporção de pessoas intolerantes à lactose atesta nosso despreparo evolutivo para lidar com laticínios após a primeira infância. No entanto, para aquelas pessoas que não apresentam tal intolerância, os laticínios fermentados não parecem apresentar maiores problemas, pelo contrário!

Os graves problemas associados ao consumo de hidratos de carbono (hc) atestam também uma incapacidade evolutiva para lidar com essa classe de macro-nutrientes, que era escassa durante 99,5% da nossa evolução. O fato de que podemos sintetizar todos os hc de que necessitamos a partir de proteínas e triglicerídeos também sublinha a quase ausência eventual dos mesmos no nosso passado paleolítico.

Em especial, os problemas associados ao consumo de grãos, além do fato de serem a maior fonte de hc da vida moderna, são um capítulo à parte. Sem sombra de dúvida que a simples eliminação total dos grãos (pão, massa, farinha, biscoitos, etc, enfim uma dieta livre de glúten) fornece talvez 70% de todo o benefício de uma alimentação paleolítica (em termos não apenas de perda de peso, mas de controle de síndrome metabólica e de patologias auto-imunes).

Por vezes pode ser difícil separar os conceitos paleo e low-carb. Aconselhamos a leitura da explicação do Dr. José Carlos Souto aqui.

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